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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nos bits da Lama e do Caos


Colaboração. Esse é o espírito do Expoidea, evento que vai discutir e pensar tecnologia, cultura e sustentabilidade, no Recife, no mês de setembro. Mas, para que tudo saia como o planejado, o primeiro passo foi dado ontem, pela equipe organizadora, num encontro que reuniu blogueiros da capital pernambucana, no auditório do Porto Digital, um os parceiros. A ideia é que não só os blogueiros mas qualquer pessoa interessada nos temas centrais possa sugerir nomes de palestrantes, oficinas, cursos e tudo mais que a feira possa reunir. Para isso, foi criado um portal - www.expoidea.com.br/v2/home/. É só fazer um cadastro e pronto, pode começar a dar o seu palpite. Mas calma. Não vá com muita sede ao pote. Para garantir a seriedade da coisa, os posts serão moderados, para evitar que se coloquem temas que fujam do cerne da questão.

A ideia de interação parte já da logomarca. Uma hélice que move para a junção de todas as ideias. As cores também têm o seu significado: a tecnologia no azul (Lembram da Microsoft, Twitter, Orkut, Facebook?), a sustentabilidade no verde (não precisa explicar, né?) e o laranja na cultura (a cor mundialmente conhecida como da criatividade). "Esse não é um evento só voltado para quem trabalha com tecnologia. É basicamente um evento voltado para jovens que estão atrás de conhecimento", disse um dos organizadores, Rogério Robalinho, da Companhia de Eventos.

Os blogueiros tiveram a honra de saber da novidade antes de todo mundo. Isso porque o lançamento oficial só ocorrerá em 25 de março, durante a Conferência Estadual de Ciência e Tecnologia. É, Finos&Fofos tá podendo. Além desse encontro, mais três estão programados. Nos próximos, serão tratados exclusivamente os temas do evento - tecnologia, cultura e sustentabilidade. Não só os blogueiros serão convidados. Os encontros serão abertos para quaisquer pessoas interessadas nos temas. As datas ainda serão definidas.

Mas, por que começar com blogueiros? "Vocês são pessoas fundamentais na construção do Expoideas. São formadores de opinião, potencializadores de debates e têm qualidade de conteúdo", disse o diretor de planejamento da Marta Lima Comunicação, Fernando Lima. Nem mamãe me elogia tão bem. Bateu aquele orgulho, confesso.

E para incentivar a participação, vai ter um ranking. Quem sugerir mais, leva um prêmio. Para o mês de março, vai começar com dois pacotes de um final de semana em hotel em Porto de Galinhas e um iPod. A premiação vai ser quantitaiva e não qualitaitiva, coisa que eu discordo. Neguinho (sem preconceito racial, por favor, é só um vício de linguagem!) posta um monte de coisas e vai pra praia. E quem colocar algo realmente relevante para o evento não ganha nada. Acho injusto. Mas tudo bem, vai bater aquele orgulho quando ver um palestrante que você indicou lá. Steve, amigo, vou te ligar, tá? O Steve citado é o Jobs, mas também ficaria feliz em ver o Harris, do Iron Maiden.

O local escolhido, até o momento, é o campus da UPPE. Não tem nada fechado ainda. E como toda feira que se preze, vai ter rodada de negócios, exposição de produtos e serviços, cursos, palestras e debates, manifestações e apresentações culturais e um cyber espaço. Vamos generalizar, tecnologia é coisa de nerd, certo? Então também vai ter espaço para uma arena de robótica e engenho e arte.

Tudo isso me lembra Chico Science: "Eu me organizando posso desorganizar."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

No Dia Nacional do Livro, saiba quais obras os escritores brasileiros recomendam

Comemorado desde 1966, o Dia Nacional do Livro foi escolhido por ser o aniversário da criação da Biblioteca Nacional, que hoje possui cerca de 9 milhões de itens e é considerada pela Unesco a oitava maior do mundo, além de ser a maior da América Latina.

Após a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, dom João 6º ordenou que a Real Biblioteca portuguesa fosse transferida para a então colônia, o que ocorreu no dia 29 de outubro de 1810 --há quase dois séculos. À época, o acervo contava com 60 mil peças - entre livros, manuscritos, mapas, moedas e medalhas. Após a Independência, em 1822, algumas dessas obras retornaram a Portugal e outras foram compradas pelo Brasil, criando a Fundação Biblioteca Nacional, chamada assim desde 1990. Em 1812, foi publicado o primeiro livro em terras brasileiras: "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga.



MOACYR SCLIAR - O gaúcho Moacyr Scliar, autor de mais de 70 obras, recomenda a leitura de "Grande Sertão: Veredas". O livro foi eleito um dos 100 mais importantes de todos os tempos pelo Círculo do Livro da Noruega e ainda conquistou o Prêmio Jabuti de Produção Gráfica (menção honrosa) em 2002. No volume, a estilização das peculiaridades das falas sertanejas, sempre recorrente na obra de Guimarães Rosa, atinge seu auge neste que é considerado o seu mais importante romance. O autor reinventa a língua e eleva o sertão ao contexto da literatura universal, compondo o cenário de uma narrativa lírica e épica, uma lição de luta e valorização do homem.

MARCELO RUBENS PAIVA - Ganhador do Prêmio Jabuti por "Feliz Ano Velho", Marcelo Rubens Paiva indica aos leitores da Livraria da Folha "O Vampiro de Curitiba", livro clássico de Dalton Trevisan que conta a história de um vampiro em pele de cafajeste que persegue virgens e prostitutas em fim de carreira em uma Curitiba degradada. Tendo dedicado toda a carreira ao conto, Trevisan é considerado o maior mestre brasileiro no gênero.



THALITA REBOUÇAS - Atual sensação da literatura jovem, Thalita Rebouças elegeu o comentado "Ensaio sobre a Cegueira", que originou o filme de mesmo nome dirigido por Fernando Meirelles. A partir de uma fantasia aterradora, José Saramago, vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 1998, faz um exame vívido dos piores apetites e fraquezas do homem neste romance.
Tudo começa quando uma terrível "treva branca" deixa cegos, um a um, todos os habitantes de uma cidade. As autoridades conduzem as pessoas que ficaram cegas a um hospício desativado, mas lá as pessoas se tornam alvos de criminosos.

FERNANDO BONASSI - Escritor e dramaturgo, o paulista Fernando Bonassi sugere a obra "Angústia", de Graciliano Ramos. O livro não se distingue somente por evidenciar, a cada parágrafo, a capacidade de observação do autor, mas o romance também nos chama a atenção pelas qualidades literárias que fizeram dele uma obra única no incomum momento de sua publicação: o escritor estava preso, sem ter sido ouvido uma única vez, acusado de ser um militante comunista. "Ri e chorei com ele", confessa Bonassi.



ZUENIR VENTURA - Já Zuenir Ventura, autor de "1968: O Ano que Não Terminou", propõe a leitura de "O Encontro Marcado", do consagrado Fernando Sabino. O livro conta a trajetória de Eduardo Marciano, um jovem em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. História de adolescência e juventude, de prazeres fugidios, desespero, cinismo, desencanto, melancolia e tédio, que se acumulam no espírito do jovem, amadurecendo em um mundo desorientado. Ele vê seu matrimônio quebrar-se quando já não pode abdicar. Por sua própria experiência, o suicídio deixa de ser uma solução. Nessa paisagem atormentada, ele deve renunciar a si mesmo, para comparecer ao encontro com uma antiga verdade.

ILAN BRENMAN - O escritor Ilan Brenman indica, para crianças e adultos, a leitura de "Onda", um livro sem palavras, recheado de belas imagens feitas a carvão. "Uma narrativa sensível e poética. A relação do mar com uma menina ganhou uma dos mais belos livros de imagens já publicado", avalia. A autora, Suzy Lee, ilustrou em azul, preto e branco o ruído das águas, o bater de asas das gaivotas, o vento que balança o vestido da criança e a conversa silenciosa que se estabelece ao longo da narrativa.

*Fonte: Folha Online

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sehnsucht nach dem Kommunismus


Às vésperas da comemoração dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, no próximo dia 9, os alemães estão vivendo um surto agudo de nostalgia. É a chamada ostalgie, ou a nostalgia dos tempos comunistas, que de vez em quando irrompe no país - isso já aconteceu em 2003, quando estreou o filme Adeus Lênin. Em sua versão 2009 não existe filme algum - o exemplar mais recente a tratar dos tempos comunistas, A Vida dos Outros, de 2007, detona qualquer ilusão de que a vida na Alemanha Oriental era melhor do que a do país unificado.

O que existe é um movimento de revalorização de marcas da velha República Democrática Alemã, provavelmente despertado pelo desencanto com a situação econômica do país, bastante afetado pela crise global. Uma reportagem no jornal Advertising Age, especializado em publicidade e marketing, mostra que uma série de marcas do velho regime faz enorme sucesso nas prateleiras das lojas de uma Alemanha capitalista como nunca.

A mais emblemática é a de um vinho espumante chamado Rotkäppchen (ou Chapeuzinho Vermelho). Nos tempos do comunismo, o kombinat que fabricava a bebida vendia 15 milhões de garrafas por ano, principalmente para os chefões do regime. Em 1991, esse número despencou para 2,9 milhões de garrafas. No ano passado, no entanto, o Rotkäppchen cravou a incrível marca de 149 milhões de garrafas, o que lhe garantiu 40% do mercado de espumantes da Alemanha.

O champanhe comunista não está sozinho nessa onda. A marca de sabão em pó Spee, hoje pertencente à Henkel, tornou-se uma espécie de ícone para a classe C alemã (se é que existe isso). Da mesma forma, a marca de produtos de beleza Florena, também chamada de “Nivea do Leste”, foi comprada pela dona da Nivea de verdade, a Beiersdorf, logo depois da reunificação e hoje é um produto estratégico para a empresa entre os consumidores que viveram na antiga RDA. O mesmo acontece com produtos como Café Rondo, Mostarda Bautzner e os tênis Zeha (uma espécie de Adidas comunista, que calçava dez entre dez estrelas das equipes olímpicas alemãs-orientais).


A única marca que ficou de fora dessa onda marqueteira foram os Pepinos Spreewald. Quem viu o filme Adeus Lênin com certeza se lembra da epopéia do personagem Alex revirando latas de lixo atrás de um pote dos malditos pepinos para atender os desejos de sua mãe saborear a iguaria. Com um apelo desse, é de se admirar que ninguém ainda tenha relançado o produto.

*Fonte: Época Negócios
* Fotos: Época Negócios/Google


PS: Tradução do título da postagem - "Saudade do Comunismo"

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


Memórias do que não vi

* Texto publicado no blog de Sérgio Montenegro Filho - http://polislivre.blogspot.com/

Faltavam apenas dez dias para eu completar meu primeiro aniversário quando Jimi Hendrix subiu ao palco, na madrugada do dia 18 de agosto de 1969, para encerrar o Festival de Artes e Música de Woodstock, em Bethel (NY). Na época, eu mal percebia as canções de ninar na voz da minha mãe, é bem verdade. Mas ainda assim, aquele acontecimento marcaria a minha vida.

Ali, em meio ao maior público já registrado até então num festival de música começava a ganhar corpo a associação entre o rock e o movimento flower power, bem traduzido como "faça amor, não faça guerra". Em pleno confronto no Vietnã - uma das decisões mais equivocadas de todos os tempos tomada por um país - cerca de 500 mil pessoas ignoravam o desconforto, a insalubridade e mesmo a falta de comida e água potável, para pedir paz e amor.

O grito coletivo foi - e ainda é - solenemente ignorado por generais e governantes. Mas Woodstock deixou um legado: a música. Hoje, tudo o que se faz em termos de rock and roll tem relação com o som que se ouviu durante três dias, naquela fazenda do interior de Nova York.

Foi em Woodstock que se cunhou o jargão "sexo, drogas e rock and roll". Mas de lá também saíram consagrados músicos e bandas que eu só viria a conhecer mais de uma década depois, e que até hoje têm lugar cativo na minha "vitrolinha".

É gente que fez, e faz, música de verdade, como Richie Havens, Carlos Santana, Joan Baez, Mountain, Janis Joplin, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Ten Years After, The Band, Johnny Winters, Crosby, Stills, Nash & Young, e os dois maiores de todos: The Who e Jimi Hendrix, fontes onde eu e mais um punhado de doidos ainda buscamos inspiração e energia para levar aos palcos, onde quer que nos permitam.

Não importa o que pensam os ufanistas, xenófobos e outros chatos de plantão, cujo esporte continua sendo baixar o pau no rock. Sei que falo por mim e por muitos ao reverenciar o que aconteceu em Woodstock naqueles lamacentos dias de agosto. E lamentar muito não ter tido a oportunidade de estar lá.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mais palavras da moda

Diretrizes = planejamento
Requalificação = obras, reforma

Por que as pessoas preferem tucanar as coisas? É tão mais fácil escrever de maneira simples, para o povão entender, em português claro e bem falado.

Vale a pena lembrar uma piadinha até hoje não atestada como verídica, sobre Rui Barbosa surpreendendo um homem que tentara roubar alguns patos de sua c
asa.

Conta-se que Rui Barbosa, "O Águia de Haya", um dia ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, deparou com um ladrão com a mão na massa, pronto pra levar seus patos de criação. Ele, Rui, aproximou-se vagarosam
ente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo... Mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha b
engala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, completamente confuso, diz:
- Dotô, eu levo ou deixo os pato?...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A palavra da moda é...

Auspicioso.

Leia artigos publicados em jornais e revistas. Procure aqueles seus amigos metidos a cultos e intelectuais. Fale com seus professores.

Presente em nosso dicionário praticamente desde que a língua portuguesa foi elaborada, a palavra, com origem no latim - segundo o Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa (aus.pi.ci.o.soadj (auspício+oso) Com bom auspício, de bom agouro; esperançoso, prometedor. Antôn: desanimador) - caiu de vez na boca do povo depois da novela Caminho das Índias. Hare baba.

Praticamente todos os personagens no núcleo coberto de pano, que habitam a Índia erguida nos terrenos do Projac, usam a palavra repetidamente.

Mais uma prova da ignorância do povo brasileiro, que precisa de um modismo para aprender novas palavras, novos significados. Resultado, também, da falta de incentivo à leitura, de uma boa educação escolar, de acesso á cultura, e por aí vai...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O futuro do cinema na Espanha

Nova Safra de diretores espanhóis ganha o mundo com blockbusters, mas coloca o cinema do país na encruzilhada entre Hollywood e as produções autorais

Desde o fulminante sucesso de Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988), Pedro Almodóvar tornou-se sinônimo de cinema espanhol para espectadores de todo o planeta. Ícone da tela grande ao lado de Bigas Luna da “Movida” Madrilenha - um dos principais movimentos de renovação cultural dos anos 1980 –, Almodóvar conquistou um raro status dentro e fora de seu país. Lançado com pompa na Cidade do Cinema, complexo da indústria do audiovisual nos arredores de Madri, Los abrazos rotos, a mais recente produção do diretor, estrelada por Penélope Cruz, foi recebida com frieza pela imprensa e tampouco lotou as salas de exibição espanholas, como aconteceu com Volver, o filme nacional mais assistido de 2007.

Criticado pela repetição de fórmulas em seu último filme, o longo reinado de Almodóvar, precedido por Carlos Saura e muito antes por Luis Buñuel, lança dúvidas sobre o futuro do cinema espanhol. Há ou não uma nova safra de diretores em ascensão no país? “O fato é que vivemos um momento de crise criativa em nosso cinema”, assinala o crítico de cinema Eduardo Moyano, ex-diretor da Rádio Exterior de Espanha.

Um sintoma desse fenômeno pode ser sentido na bilheteria. As três produções com dinheiro espanhol de maior sucesso do ano passado são faladas em inglês e, com exceção de Os crimes de Oxford, de Alex de la Iglesia, as demais são obras de diretores norte-americanos: Vicky, Cristina, Barcelona (Woody Allen) e Che, el argentino (Steven Soderbergh).

De fato, nos últimos anos, os diretores de maior projeção no exterior têm optado por um modelo de cinema mais “holywoodiano”. De la Iglesia, famoso por blockbusters como El día de la bestia (1995) e La comunidad (2000), trabalha agora em La marca amarilla, uma adaptação dos quadrinhos estrelada pelo inglês Keneth Branagh. A grande revelação dos últimos tempos, Alejandro Almenábar (Oscar de filme estrangeiro em 2004 por Mar adentro e autor de Os outros, com Nicole Kidman, de 2002), também abraçou as produções multinacionais. Estreia em outubro, na Espanha, seu próximo filme Ágora, rodado na ilha de Malta com inspiração no mundo grego antigo. Os atores mais populares da atualidade, Penélope Cruz e Javier Bardem, também passam mais tempo em Los Angeles que na própria Espanha. “Fazer filmes em outros países tem seu lado positivo, mas, com isso, acabamos perdendo ópria identidade”, lamenta Moyano.
REVELAÇÕES - Seria injustiça, no entanto, não reconhecer o surgimento de um novo grupo de realizadores de boa qualidade. Um dos autores mais premiados na Espanha, atualmente, é Jaime Rosales, aclamado em Cannes em 2007 por Las horas del día e vencedor do Goya – o Oscar espanhol – de Melhor Direção por La soledad (2007). No ano passado, provocou polêmica no Festival de San Sebastián com Tiro en la cabeza, retratando os bastidores do terrorismo no País Basco. Este ano, Rosales está de volta às telas como produtor do drama existencialista A árvore, de Carlos Serrano Azcona.

Entre as novas caras do cine espanhol, destaca- se também Isabel Coixet, com os elogiados Mi vida sin mí (2003) e La vida secreta de las palabras (2005). A diretora estreia em agosto El mapa de los sonidos de Toquio, rodado no Japão. Outro autor que vem ganhando projeção é Chus Gutiérrez, atualmente em cartaz com Retorno a Hansala, que retrata o drama dos imigrantes africanos arriscando a vida para desembarcar ilegalmente na costa espanhola. Ainda na lista de revelações, está outro filme de caráter social: El truco del manco. O filme, que conta a história do rapper defi ciente físico El Langui, rendeu a Santiago Zannou o Goya de melhor diretor estreante.

Representando o establishment da indústria cinematográfi ca, o Goya, este ano, apostou todas as suas fi chas em Camino, merecedor de seis estatuetas, entre elas a de Melhor Filme e Direção para Javier Fesser. Destinado ao grande público e abusando um pouco do dramalhão, o filme tem o mérito de abordar um tema sensível à sociedade espanhola: os bastidores da Opus Dei, o que certamente atrairá espectadores no exterior. A aclamação de Camino acabou ofuscando uma das melhores produções recentes, Los girasoles ciegos, do veterano diretor José Luis Cuerda – ambientado durante a guerra civil espanhola –, que promete agradar à audiência internacional mais sofi sticada.

Na encruzilhada entre Hollywood e o cinema de autor, a Espanha busca um novo modelo enquanto vê o público minguar ano a ano nas salas de exibição. Moyano acredita que alguns gêneros, como o de terror fantástico, têm potencial para atrair o público jovem, a exemplo de sucessos como Orfanato (José Antonio Bayona, 2007), REC (Jaume Balagueró e Paco Plaza, 2008), ou La casa de Fermat, (lançado neste ano pelos ña).

Depois de muita experimentação, Almodóvar definiu seu próprio destino autoral no lançamento de Los abrazos rotos: “Quero me dedicar cada vez mais a um gênero que foi muito distorcido pela televisão e que merece uma abordagem mais contemporânea no cinema: o melodrama”. Mais espanhol, impossível.

* Fonte: Revista da Livraria Cultura

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Consumo Literário


Não gosto de falar sobre mim no blog. E muitos leitores sabem disso. Mas estou quebrando as regras hoje. Fazendo uma busca por títulos em um site de uma livraria, me lembrei de um dado que me surpreendeu. Este ano, bati meu recorde de livros lidos. Ao todo, foram oito obras nos seis primeiros meses do ano. Recomendo todos. Para quem interessar possa, lá vai a lista:

Silêncio dos Inocentes, de Harris Thomas
Quando Nietzsche Chorou , de Irvin Yalom
O poderoso chefão, de Mario Puzzo
Os contos de Beadle, o Bardo, de JK Rowling
Anjos e Domônios, de Dan Brown
Água para elefantes, de Sara Gruen
Leite derramado, de Chico Buarque
1808, de Laurentino Gomes

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tradições

Há costumes que não conseguimos explicar porque fazemos. Simplesmente seguimos. Peguei dois exemplos no livro que estou lendo atualmente: 1808, de Laurentino Gomes. Ambos são descritos, como o nome do título do livro sugere, no período da permanência da Família Real no Brasil. Mas, se os trouxemos para os dias atuais, não muda nada não.

Sobre o Brasil (página 192):

Outra herança da época de D. João é a prática da "caixinha" nas concorrências e pagamentos dos serviços públicos. O historiador Oliveira Lima, citando os relatos do inglês Luccock, diz que se cobrava uma comissão de 17% sobre todos os pagamentos ou saques no tesouro público. Era uma forma de extorsão velada: se o interessado não comparecesse com os 17%, os processos simplesmente paravam de andar. "A época de D. João estava destinada a ser na história brasileira, pelo que diz respeito à administração, de muita corrupção e peculato", avaliou Oliveira Lima. "A corrupção medrava escandalosa e tanto contribuía para aumentar as despesas, como contribuía o contrabando para diminuir as rendas."

Sobre Londres (páginas 205 e 206):

O poder e a influência da nova potência se faziam sentir em todas as partes do mundo. Com pouco mais de um milhão de habitantes, Londres era a maior cidade do mundo. Suas chaminés lançavam uma nuvem de fuligem que cobria o telhado das casas. Fortunas se multiplicvam graças a invenções revolucionárias, como a locomotiva a vapor. Nesse ambiente criativo e dinâmico, as ideias circulavam livremente, em contraste com o ardor patriótico, porém autoritário, da França Napoleônica, onde os livros e a cultura eram submissos aos caprichos do imperador. No começo do século XIX, havia 278 jornais em Londres. Esse número incluía periódicos ingleses, como o já vulnerável The Times, e também uma infinidade de jornais em língua estrangeira, ali publicados para fugir à censura e à perseguição em seus países de origem, caso do brasileiro Correio Braziliense, de Hipólito da Costa. A cidade era um centro de debates, pesquisas e inovações, que atraía cientistas, pensadores, escritores e poetas. Alguns dos maiores nomes da história da literatura inglesa, como Lord Byron, Percy Shelley e Jane Austen, lá estavam, escrevendo suas obras-primas. Multidões se reuniam para ouvir palestras, exposições e debates em torno de inúmeras sociedades dedicadas à pesquisa de Geografia, Astronomia, Antropologia e Geologia, entre outras áreas da ciência.