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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Blogaço em prol de bibliotecas comunitárias



Recebi um e-mail com um convite muito especial. Como blogueira, fui convocada a fazer parte do “Bloguinaço em Defesa da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife”. O meu desafio era fazer um post convocando os meus leitores a ajudarem, de alguma forma, uma biblioteca comunitária.

Pra começo de conversa, você sabe o que é uma biblioteca comunitária? São espaços de leitura que surgiram por iniciativa das comunidades e são gerenciados por elas, ou ainda, aqueles espaços que embora não tenham sido iniciativas das próprias comunidades, voltem-se para atendê-las e as incluam nos processos de planejamento, monitoramento e avaliação.

Agora que você já está por dentro do assunto, saiba que essas unidades estão precisando de mais do que livros. Objetos e ações como estantes, cadeiras, computadores e obras de infra-estrutura são urgentes e muito bem vindas. Quem não quiser "botar a mão na massa" também pode contribuir fazendo um depósito de qualquer valor: Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003.

E você sabe onde ficam essas bibliotecas? Olha a lista:

Biblioteca Multicultural Nascedouro (Peixinhos – Recife/Olinda)
Biblioteca Popular do Coque (Coque – Recife)
Biblioteca Peró (Piedade – Jaboatão dos Guararapes)
Biblioteca Lar MeiMei (Bairro Novo – Olinda)
Biblioteca Cepoma (Brasília Teimosa – Recife)
Biblioteca Popular de Caranguejo Tabaiares (Ilha do Retiro – Recife)
Biblioteca Amigos da Leitura – (Alto José Bonifácio – Recife)
Biblioteca Os Bravistas – Shekiná (Ouro Preto – Olinda)

Eu conheçi uma dessas bibliotecas em 2002, quando era estagiária da Folha de Pernambuco. Fui fazer a matéria da inauguração da Biblioteca Popular de Caranguejo Tabaiares. Fiquei comovida com a história, com a vontade dos moradores em terem um espaço voltado para a leitura e estímulo à ela.

Vou selecionar uns livros que tenho em casa para doar. Pena que já passei adiante uma estante que tinha no meu quarto. E também doei meu computador antigo para outra instituição. Por que você não faz o mesmo? Separe livros que você não pretende mais ler, veja se tem algum móvel que possa ser doado. Faça sua parte.

Quer conhecer o projeto de resgate das bibliotecas comunitárias? Clique aqui e acesse o blog. E se quiser conhecer o blog da Biblioteca Popular de Caranguejo Tabaiares, eles também mantém um blog.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O que é um jornal?




Foi com esse vídeo que o diretor adjunto de Redação do Jornal do Commercio, Laurindo Ferreira, iniciou ontem sua fala no 9º Fórum Pernambuco Inovador, no auditório do Porto Digital. (Leia texto sobre palestra de Sílvio Meira clicando aqui) O vídeo é uma reflexão sobre o desafio do que é fazer um jornal impresso, hoje. Inclusive, a influência e o papel da web na produção de conteúdos para jornais impressos tem sido tema, pelo menos há seis anos, de encontros da Associação Nacional de Jornais.

O jornal "de papel" vai se acabar? Sem dúvida. Quando? Breve, mas ainda não sabemos exatamente quando. O Jornal do Brasil, um dos mais tradicionais do Brasil, anunciou na semana passada que deixará de circular diariamente nas bancas, mãos de gazeteiros e assinantes para se tornar apenas on line. Nesse caso, foi a melhor solução para aliar a triste falência à adequação dos tempos. Papel de jornal custa caro. E a manutenção das máquinas que o imprimem também.

Esperar para dar uma notícia no dia seguinte é perder tempo. "Um jornal precisa estar hoje onde as pessoas querem e onde elas precisam que o jornal esteja", disse o jornalista. "E isso interfere diretamente no modo do fazer a notícia. O leitor não é mais um mero consumidor de informação. Ele quer fazer parte, compartilhar e também informar. Principalmente o leitor que já foi alfabetizado com a tecnologia", completa.

E esse novo fazer notícia também muda o jornalista, que passa de dono absoluto da informação a mediador de demandas. "Se o leitor tem esse perfil, é preciso mudar também o perfil de quem produz a informação. É a margem que começa a interferir no centro", acrescenta Laurindo.

A prova de que os jornais impressos estão se rendendo à integração dos leitores é, no mais simples exemplo, usar fotos de leitores para ilustrar as matérias. "Não é só estar na rede, é fazer a rede, é usar a tecnologia para o fazer juntos", explica Laurindo.

Mas, depois de assistir a tudo que assisti ontem, esta humilde blogueira que vos escreve, jornalista que atua hoje como editora de mídias sociais e que tenta entender esse mundo de redes com a velocidade com o qual ele cresce, pergunta: onde ficam os conceitos que aprendemos na faculdade? Onde fica a imparcialidade ou a multiparcialidade da informação? Oras, se o leitor pode interferir, ele pode opinar. E opinar não é se tornar parcial?


Sem dúvida, temos que mudar o modo de como fazer jornalismo. Já estamos mudando, na verdade. Colegas publicam em seus perfis no Twitter pautas e mais pautas, furos e mais furos. Isso atrapalha, inclusive, os colegas da "velha escola", que insistem em dar a informação no dia seguinte. O conceito de furo precisa ser revisto. Vale quem der a informação primeiro, seja on line, seja impresso.

Não leio mais jornal "de papel". Confiro o conteúdo diariamente na internet.

2010: Uma odisseia na rede

Foto: Google

Nesta semana, Marshall McLuhan completaria 99 anos, se vivo fosse; o mestre não está conosco há quase 30 e a frase que muitos entendem sumarizar suas teses ("o meio é a mensagem") foi escrita há mais de 45 anos. Neste quase meio século, aconteceu muita coisa.


O universo informacional teorizado por McLuhan era primordialmente de comunicação para disseminação de conteúdo; o mundo que vivemos cada vez mais intensamente parece ser outro, de conectividade para interação entre agentes independentes.


As plataformas informacionais que suportam conectividade para interação permitem que a periferia se expresse sem o controle ou editoria do programador central e que interajam, com o centro e como pares, numa nova e não mediada forma de expressão, em muito larga escala. Dito de outra forma, estamos vivendo um período em que a audiência está se transformando em comunidade.

Esse é o trecho da coluna mensal do cientista chefe do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar), Sílvio Meira, publicada ontem na Folha de São Paulo. Foi lendo-a que o cientista começou sua palestra, também ontem, no 9º Fórum Pernambuco Inovador, no auditório do Porto Digital.

Partindo da teoria estudada por todos nas faculdades de comunicação, Sílvio Meira explicou o novo meio que estamos vivendo: não há mais meio como mensagem. Hoje podemos escolher com quem e com o que queremos nos conectar. E disse mais: nas redes sociais, somos todos programadores. "O Twitter e o Facebook não são apenas redes sociais, são também programadores. Não programamos mais apenas computadores, mas toda a web", disse.

Sílvio Meira, que pensa anos-luz a nossa frente, afirma que o impacto disso é revolucionário, pois cada um poderá criar a sua própria rede. "As consequências disso? Ainda nem conhecemos", completou. Mas os dados têm tudo para tornar boa parte dos brasileiros em rede. Para isso, o cientista usou um exemplo prático. A informatização das empresas brasileiras começou na década de 80. Hoje, 99,5% estão conectadas à internet, segundo pesquisa do Sebrae.

Em 2010, estamos vivendo a informatização das pessoas. Em países desenvolvidos e com alta qualidade de vida, como Finlândia, Suécia e Noruega, está sendo iniciado o processo de criação de leis que garantem o acesso e participação na web dos cidadãos. Acesso à internet será direito fundamental, como saúde e educação. Modernidade? Desenvolvimento? Não, apenas sinais dos tempos.

No Brasil, podemos ainda estar longe disso. Mas há esperanças. O Plano Nacional de Banda Larga, previsto para começar a ser aplicado já em 2011, prevê a inclusão de 75% da população brasileira na grade rede nos próximos 10 anos. Em muitos lugares do mundo, esse acesso pode chegar a 100%.

"É o começo do processo e surgimento de um novo público: aquele que programa a própria rede. O conteúdo tido hoje como cultura clássica passará na rede passará a ser chamado de cultura digital. Mas isso ainda será difícil de se aplicar no Brasil, onde a maioria da população é ignorante", finalizou Meira.

Que lições podemos tirar disso? Pense, reflita, faça a sua rede.